Pub do Porrada

Um conto, dois contos, três contos...

aqui vão alguns dos meus escritos para você lerem e comentarem.

22 abril, 2008

As meias

Eliziane já namorava Carlos Augusto há quase quatro meses. Desde o segundo mês mantinha relações sexuais com ele. No começo a transa era apenas boa. Não se podia dizer mais nada do que isso. Mas ela gostava de conversar. Gostava de falar com ele. E aos poucos foram perdendo o medo de dizerem o que pensavam. Ele dizia como gostava, ela fazia. Ela dizia o que não gostava, ele não fazia. E as coisas começaram a esquentar. E cada vez foi ficando melhor.
E cada vez que as coisas iam ficando melhores, mais Eliziane ficava apaixonada. Não parava de pensar no amado dia e noite, noite e dia, e esperar pelo final de semana era uma tortura. Sem contar que tendo apenas dezessete anos encontrar-se com ele era bastante complicado, e as vezes dava vontade em lugares inusitados. Muitas vezes os dois quase fizeram amor onde não deveriam. Sorte de todos é que a menina era tímida e não gostava que os outros ficasse reparando no que ela fazia ou deixava de fazer.
Mas Carlos Augusto insistia. E como insistia. Ele parecia querer compensar os anos perdidos. A primeira vez dele foi com ela. A primeira vez dela foi com ele. Isso facilitava as coisas. As dúvidas não os deixavam constrangidos.
Apesar de tudo as idéias normalmente vinham dela mesma. E quando menos o namorado esperava, quando já estava até pegando no sono, lá vinha ela provocando.
Certa vez estavam os dois sozinhos. Os pais haviam saído e a casa estava liberada. Saiu a blusa, o sutiã, a camiseta, uma calça, outra calça. Devagar a calcinha foi sendo tirada. Ele também tirou a cueca. Tudo foi como sempre. Depois de tudo o telefone começou a tocar. Era o despertador lembrando que estava acabado por aquele dia. Carlos levantou para desligar o celular totalmente nu. Eliziane percorreu os olhos pelas costas até chegar no chão. As meias. Ele estaria nu se não fosse as meias. Por que ele não as tirou? Aquela pergunta ficou ecoando na cabeça cheia de idéias de Eliziane.
Poderia ter sido apenas um lapso, mas não foi. Aquela idéia voltou na vez que se seguiu. Tirou toda a roupa mas continuou com as meias. Eliziane começou a sempre roçar os pés nos pés do namorado para senti-las. E lá estavam, como sempre, as meias.
A perturbação era tanta que o sexo já não lhe dava tanto prazer. Ela só pensava nas tais meias. Assim acabou a paixão e acabou o namoro. Ela nem deu explicações. E Carlos Augusto nunca entendeu o porquê.
Eliziane depois de um certo tempo trocou de namorado. Aquela era a primeira vez dos dois juntos. Estavam eufóricos. Tirou o vestido e ele a camiseta. Tirou a calcinha. Rapidamente ele tirou calça e cueca juntos. Tudo estava começando. Mas o pé de Eliziane roçou no pé do novo namorado, e lá estavam as meias novamente.
Só então ela percebeu que não adiantaria mudar de namorado. As meias sempre continuariam lá para atormentar sua vida.

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