Pub do Porrada

Um conto, dois contos, três contos...

aqui vão alguns dos meus escritos para você lerem e comentarem.

09 abril, 2008

Fome de matar
A vida estava mesmo difícil para Elzo Gilmar da Silveira. Apesar de ter um nome, numero de CPF e identidade não era considerado um cidadão comum como qualquer outro. Era chamado de mendigo. Entretanto não queria ser mendigo. Ele queria ter emprego, dinheiro, família, amor, comida, não morar em um cantinho qualquer, assim como tinha que fazer todos os dias. E naquela noite não seria diferente.
A noite estava tão linda.
A praia deveria estar maravilhosa... Ele ainda tinha esperanças, então gostava das coisas boas deste mundo. Juntou suas coisas e foi caminhar sozinho pela areia, enquanto pensava e olhava para as ondas ao longe.
No fundo Elzo tinha raiva de si mesmo por perder tudo que tinha e poderia ter bebendo. Hoje era chamado de louco pelas crianças na rua... e ele gostava tanto de crianças.
Sentou num canto, entre pedras e um monte de areia, além de muita sujeira. Já não se importava com a sujeira, era sujo. Estava la há algum tempo quando viu que um cachorro se aproximava lentamente, mas parou antes de chegar perto demais. Foi então que Elzo percebeu que havia um cachorro-quente quase inteiro dentro de um plástico no chão. Se tivesse visto antes poderia tê-lo comido de janta. Mas estava tão distraído. Aquilo o deixou louco de raiva. Seu sangue fervia. E o cão emanava uma alegria que Elzo gostaria de sentir.
Nem pensou duas vezes antes de abrir a mochila e tirar de lá um canivete. Matou-o com um só golpe, cortando seu pescoço. Nem sequer ouviu o gritinho de dor.
Não sentiu arrependimento, mas pensou que além de querer um emprego, dinheiro, família, amor, comida e casa, gostaria de ter um cãozinho como amigo.

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